Após negar a visita de Ciro, Estela pôs o celular sobre a cadeira da cozinha e caminhou lentamente para o quarto. Passo a passo, o coração jovem da moça palpitava e as lágrimas percorreram seu lindo rosto moreno. Num súbito devaneio, esqueceu-se de recolher o lixo de cigarro sobre a mesa da cozinha, deu meia volta, e frente à mesa deparou-se com seu pai:
- E ai Bezão? Tudo bem?- abriu a geladeira em busca de leite.
- Tudo pai, tudo bem sim! - com desapontamento.
- Não me parece, o que está acontecendo? Você brigou com sua mãe? Está apaixonada denovo?- abriu o armário e encontrou o achocolatado.
- Não pai, não é nada disso, estou com uma bosta de uma dor de cabeça!- inclinou-se para frente com as mãos sobre as têmporas.
- Já tomou remédio?
- Sim, pai, já tomei sim.
- Olha lá no armário do banheiro tem mais... - misturou leite com achocolatado no copo e mexeu com a colher.
- Ok. - disse em voz baixa, olhando para o chão, moveu-se para o quarto antes mesmo que o seu pai terminasse a frase.
- Qualquer coisa me avisa tá! - largou a colher e a xícara, foi até a porta da cozinha e buscou uma visão da movimentação da filha até o quarto, lembrou-se da xícara sobre a mesa e voltou-se para o primeiro gole do dia. Preocupado ligou para Tânia:
- Alô, amor!
- Oi Sassa!
- Acho que a Estela não está bem!
- Sério, quando eu voltar conversarei com ela.
- E aí, você compra pão e queijo? Hoje eu não vou sair, vou assistir o jogo com o Zeca, chegue cedo!
- Tá bom, é isso mesmo. Pães e queijos, e mais alguma coisa?
- É isso né. Beijos amor. Tchau.
- Tchau. Fica de olho no nosso bebê- referindo-se Estela.
- Aham - com tom de afirmação.
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