quinta-feira, 24 de junho de 2010

Carmem e Juan- Entre rosas e cavalos... Parte III

Carmnezita correu entre os bosques, quando cansou deitou debaixo de um ipê roxo, olhou para o céu e percebeu que tinha uma seta saindo da lua em direção a algo, piscou os olhos, coçou a cabeça, teve um insight, ela sabia que era ele, ou eles,pois afinal, de quem era aquele nome que acabara por clamar?

Juan e João também observaram que a lua estava diferente, e apresentava uma seta indicando para algo.
- Eita! Será que é a minha Maria? - disseram os dois, mais um vez se olharam com bronca.
Correram juntos...
Em alguma parte do percurso uma chuva de gotas coloridas caiu, os três beberam e caíram no chão.



Continua..

Carmem e Juan- Entre rosas e cavalos... ParteII

(...) e em sua febre chamou o nome de Juan de mil maneiras, mudando a tez e a voz a cada "Juan, Juan, Juanzito".

Enquanto isso Juan e João brincavam pelas travessas, quando de repente, em um súbito devaneio, Juan chamou por Maria, também de diversas formas; - ei , espere!- João, sim, João também passou a chamar pela donzela " Maria. Ai! Maria", e os dois:
- Maria minha! -Com olhares fixos aos céus. Venha "cirandeiroiá" !- um olhou para o outro. Eita! Você também falou isso? Para, para de me imitar! – deixaram a tensão pesar na testa inclinando-se frente a frente para a testa do outro. E cara a cara, suor conta suor, rugiram como dois líderes sanguíneos.
- Urrrhhhhh! – e após o uivo sentiu que sua boca moveu-se sem seus comandos.
Ao mesmo tempo, a boca de Maria Carmem moveu-se pronunciando um nome desconhecido de sua ânsia:]
- João – deu um tranco com os ombros- João!
Há milhas distante daquela oração, sob o luar de um céu estrelado, Maria uivou:
-  Aúúúúúúú!!!!! -rasgou o vestido, arrancou as roupas de baixo e pôs-se a caminhar rumo a qualquer lugar que não sentisse a dimensão da falta que lhe consumia pouco a pouco. Sentiu o coração soluçar e soluçou, mas como? Franziu a sobrancelha enquanto indagava aquele nome. Estaria ela delirando de calor? Sim muito calor, pois o frio que lhe movimentou involuntariamente os músculos, e por fim a febre cessara depois daquele esquisito acontecimento.



Continua....

Carmem e Juan- Entre rosas e cavalos... Parte I

Muitas vezes é necessário desrespeitar algumas regras para entender o como.
Como essa macha de café sob a mesa ao meu lado, e a pouca vontade - pra não chamar de preguiça- de limpar.
Sei lá, vou contar uma outra estória...



Era uma vez, não, muito clichê.
Embora o dia estivesse quente, Carmem não conseguia conter o "tremilique" de seus músculos. Há dez dias estava doente, só, e com muito frio.

Na primeira semana de febre a moça foi ao médico, fez exames, tomou remédios e tal, mas nada, absolutamente nenhum efeito fazia. Contudo, no fundo, ela sabia o porquê daquela tremedeira.

Não era gripe, nem falta de gordura para conter a temperatura do corpo, era a saudade e a vontade de ter em seu leito aquele moço novamente.

O moço, chamado Juan , viajava em seu galopante cavalo Tédio, sentia falta de deitar entre os seios e pernas da jovem, porém suas fronteiras estavam além daquela simples cidadela, que absurdamente parecia um sistema fechado, sem trocas com o depois do limiar.

Juan, galopou muito, conheceu outras "chicas", sentiu os mais estranhos perfumes de flores e bostas. Caiu de frente e subiu de costas, e logo João o conheceu -João era um cara que tocava bandolin na rua, pra pegar uns trocados por capim queimado. Juan atropelou João, e isso não fez com que se zangassem, um cuidou do outro,e o machucado sarou, e de desconhecidos tornaram-se amantes.

Enquanto isso, Maria fervia, fervia...



continua...

que inferno!

Assim, de repente


por medo...

Senti, precavi e tornei-o ausente, mas presente.

Deixei de encontrar,

e o pior de tudo é que ao deixar de ir

foi com o medo que encontrei e perambulei

no meu desafetuoso agir

invada

Aproveite.

Pois o reino dos céus está na Terra, e morte pode ser apenas o esquecimento.

Grite.
Pois o silêncio pode ser sua sentença de alienação.

Sonhe.
Pois a realidade é uma mera combinação de fatos.

Morra.
Pois viver é sinônimo.

Silencie.
Pois barulho demais ensurdece os signos.

Acorde.
Pois o simples fato de acordar pode ser mais sonhador do que imagina.

cativeiro

Sentir o que estar por vir é algo que necessito transcender.

Pois se rezo,

é com olhos fechados,

justamente para cair em lânguidas lágrimas de desejo sem fim.

São nas rezas que nossos corpos enamoram

E a boca, ai tua boca,

como espero que salive em minha nuca outra vez

com beijos sutis  quero alimentar cada curva de tua perna

que enlaça como braços os meus quadris, e me torna cativa de tal virilidade.

Volupto rapaz que não me deixa em paz

comilança


A delícia de manter-me em pé, deve-se às deturpações monótonas feitas através de pensamentos inquietos, pertubadores de minha paz largada ao colorido da terra rasa, cova que ainda há de cobrir meus olhos escuros.
Por favor, deixe-me ver as cores reverberantes de teu olhar e poder sonhar com aquelas nuvens que subimos na noite em que o céu caiu nas cabeças dos que falam com poesias soltas vindas como o vento que sopra ao ar.
O cheiro, o teu cheiro foi que me seduziu. Não só beijos, quero te cheirar; pescoço, cabelos, pernas, pés, boca, joelho, e as tuas mãos, ai! às tuas mãos jogo a nudez de minha casa marrom.
Deite-se em meus quartos e não peça para largar, pois te deixarei sempre ir, sempre livre. É assim que se profrem os sonhos.

Ciro e Estela- Enquanto, muita coisa...Parte II

Após negar a visita de Ciro, Estela pôs o celular sobre a cadeira da cozinha e caminhou lentamente para o quarto. Passo a passo, o coração jovem da moça palpitava e as lágrimas percorreram seu lindo rosto moreno.  Num súbito devaneio, esqueceu-se de recolher o lixo de cigarro sobre a mesa da cozinha, deu meia volta, e frente à mesa deparou-se com seu pai:
- E ai Bezão? Tudo bem?- abriu a geladeira em busca de leite.
- Tudo pai, tudo bem sim! - com desapontamento.
- Não me parece, o que está acontecendo? Você brigou com sua mãe? Está apaixonada denovo?- abriu  o armário e encontrou o achocolatado.
- Não pai, não é nada disso, estou com uma bosta de uma dor de cabeça!- inclinou-se para frente com as mãos sobre as têmporas.
- Já tomou remédio?
- Sim, pai, já tomei sim.
- Olha  lá no armário do banheiro tem mais... - misturou leite com achocolatado no copo e mexeu com a colher.
- Ok. - disse em voz baixa, olhando para o chão, moveu-se para o quarto antes mesmo que o seu pai terminasse a frase.
- Qualquer coisa me avisa tá! - largou a colher e a xícara, foi até a porta da cozinha e buscou uma visão da movimentação da filha até o quarto, lembrou-se da xícara sobre a mesa e voltou-se para o primeiro gole do dia. Preocupado ligou para Tânia:
- Alô, amor!
- Oi Sassa!
- Acho que a Estela não está bem!
- Sério, quando eu voltar conversarei com ela.
- E aí, você compra pão e queijo? Hoje eu não vou sair, vou assistir o jogo com o Zeca, chegue cedo!
- Tá bom, é isso mesmo. Pães e queijos, e mais alguma coisa?
- É isso né. Beijos amor. Tchau.
- Tchau. Fica de olho no nosso bebê- referindo-se Estela.
- Aham - com tom de afirmação.

papel molhado














há os que vivem a margem
e apagam a luz da lua na madrugada para dormir
acordam despertados por carros e pessoas
...
esquecidos, até pela religião
onde apenas uma pessoa divide o pão
e as outras seguem o exemplo dessa representação
invés de agir
...
faz muito tempo que a rua é uma casa de papel,
molhada e amassada pelo vento das delícias do sistema
que nos joga à beira de uma vida que somos obrigados a não deixar ruir ?
pois bem, graças a inconstância
nada e tudo apodrecerá,
junto com cada precoce conceito humano:
não quão selvagem como elefantes assustados ou leões esfomeados,
simplesmente gente que faz agentes da dominação
...
ah! há e os que calam.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ciro e Estela- Enquanto muita coisa...Parte I

O dia estava nublado, o clima estava estava quente, e a dor de cabeça de Estela não passava. Aproximou-se da janela, olhou para os carros estacionados na rua, sentiu um calafrio frio que chegou com o vento, colocou a mão no bolso, apalpou o maço e acendeu mais um cigarro. Enquanto digitava um sms direcionado a Ciro, o mesmo a contactou, o celular tocou:
- Alô!
-Oi Estela, tudo bem?
- Sim, e você?- dizia enquanto reconhecia a voz de Ciro.
- Bem também.
- É, eu estou com saudades...
- Eu também. - disse aflita
- A gente pode sair hoje?
- Acho que não, estou com dor de cabeça.
- Puts! Mas então, a gente pode sair outro dia? Eu quero te ver, ficar com você, beijar essa sua boca linda, o que você acha?
- Ah! Eu acho que a gente poderia sair outro dia mesmo, pode ser?
- Claro.
- Então, depois a gente conversa.
- Ok. Depois a gente conversa.